sexta-feira, 22 de julho de 2011

GUARDO-TE NA ALMA


O coração é um cofre aberto.
A alma, um cofre-forte.
O coração é uma caixinha frágil, permeável e volátil, à mercê das paixões.
A alma, uma caixa-forte, inviolável e segura, guardada acima do alcance de vis e vãos sentimentos.
O coração parte-se facilmente, mas refaz-se, embrulha-se de papel de fantasia, e está pronto, para nele entrarem e sairem amores de momento certo, amizades de tempo incerto.
A alma embate e resiste, é nua de disfarces, transparente de cores, invisível de matérias. Mas os danos sofridos ficam para sempre marcados a sangue vivo, visível só por dentro, perceptível por fora apenas a roçares de íntimo querer, ou de sensíveis toques de irmandade nascida...
No coração guarda-se o amor perecível, ainda que vestido de eternidade.
Na alma guarda-se a eternidade do amor, mesmo aquele que demos a quem já pereceu... a quem já passou, e só deixou o perfume, a aura, nua de presença, mas tão cheia de luz!!
No coração guarda-se a lembrança.
Na alma guarda-se a saudade.
No coração, a esperança.
Na alma, a fé.
No coração, a dor.
Na alma, a mágoa.
No coração, a paixão.
Na alma, o amor.

O coração é volúvel.
A alma... insolúvel.





segunda-feira, 11 de julho de 2011

Há silêncios que são lágrimas



Há silêncios que são lágrimas,
meu pequenino amor,
a contornar-te a imortalidade
em certezas que me são colo
e afago.
Há silêncios que são beijos líquidos,
meu eterno amor,
que me ungem mãe sublimada
e me perfumam de essências raras,
dulcíssimas...
E nem a dor que me nasceu no peito
(há tanto tempo),
e me floresce nas mãos órfãs,
desespera em chaga incurável:
porque,
meu anjo,
há quem diga que lágrimas são saudades...
eu digo que,
simplesmente,
há saudades que são lágrimas
-
de Amor.