Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

 
 
inacabado
 
 
há rosas que me perfumam
os pincéis quando pinto os teus olhos
são círios esvoaçantes andorinhas
os meus olhos
 
há beijos que me tocam
o rosto quando esboço os teus lábios
framboesa que devoro e avermelham
os meus lábios
 
há instintos que me movem
as mãos se procuro a tua luz
mim adentro céu afora renovando
a minha luz
 
há saudades

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Momento-luz





Ainda derramas flores sobre o papel que cumpro
em linhas de poesia.
Ainda brilhas em mim, como se o sentido de tudo
fosse alquimia,
um rasgo de entendimento,
um toque de midas,
a preciosidade do tempo
da tua vida:
a eternidade.

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013

ADORAÇÃO







Perdoa-me se, em dor, eu baixo os olhos
quando a luz que te cerca me trespassa
e me atinge e me faz parecer tão baça
a luz funda que filtro dos escolhos.

Não, não me peças mais que adoração,

olhar-te faz-me ver quanto depende
a luz da intensa fé que a ti me rende,
da tua refulgente aparição.

Por isso, e pelo medo que me ofusques,

quando mostras a clareza do teu rosto,
oh!... por isso eu te guardo no meu peito...

alentando os círios dos meus lustres,

adoçando as esquinas do desgosto,
iluminando o chão onde me deito!



Domingo, 23 de Dezembro de 2012

Prece de Natal



(Misturo os símbolos
em prece original)


Meu Menino Jesus, eu sei,


no céu é sempre Natal,

mas hoje, para não ser igual,


faz de conta que o anjo que te anuncia


não paira no alto, sobre uma cabana...


faz de conta que sorri,


em moldura pequena,


que te guarda na luz de ternura terrena,


e que tu te transformas em gentil porcelana...


Assim, tão perto de mim

,
tão perto da minha materialidade,


Menino Jesus,

faz com que a inocência tenha a minha idade,


os gestos, a ingenuidade de quem ama


e o teu Anjo um nome de menina:


Diana.

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

meu amor



dizias-me nos olhos, num beijo de lábios em botão: gosto de ti. e os teus braços, como tenros ramos de mimosas floridas, aproveitavam o vento do meu desejo de te apertar, muito, muito, e ficavam à minha volta, misturando cabelos, chilreios de beijos, bicadinhas ternas, embalos de ninho. muito, muito. e o amplexo apertava-se, até fazer doer o coração. depois, com o amor transbordado espalhado na tua pele, fugias-me, rindo, como criança travessa. e eu deixava-te ir, deixava-te fugir de mim, sabendo que eras passarinho que sempre voltaria ao berço. o meu colo era pouso que tu sabias universo e eu, eternidade. meu amor, aprendemos: nenhum abraço é maior que o universo nem maior que a eternidade - mas o nosso amor, meu amor, é um verso eterno.

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Sinto






pergunto-me se os meses sabem chorar...


que são lágrimas, afinal?,
se o que me dói
não é só Dezembro,
não é só Natal,
é antes o frio que me mói por dentro,
enquanto lá fora as chuvas escorrem
na face dos anjos que sabem sorrir
mesmo quando morrem.


respondo que o tempo ainda sabe sentir...

Domingo, 9 de Dezembro de 2012

Partição





Um terço de mim é céu,
do resto, tudo de meu
é terra:

semente, raízes, frutos,
chuvas de sal,
gelos de mel,
mares de esperança,
arbítrios de vento,
solstícios de gestos,
lágrimas de tempo,
beijos de criança…

e tudo o que em mim mais haja,
é o passar de um anjo,
é golpe de asa…