quarta-feira, 8 de abril de 2009


BALADA DA SAUDADE


Bate mansa, triste e leve,
como quem chora por mim.
Será chuva? Será neve?
Neve não!, não é tão breve,
e a chuva não dói assim.

Será só melancolia,
que com frio e jeitinho.
se chega, muda e fria,
trazida pla ventania,
ao calor do meu cantinho...

Quem bate assim, docemente,
com a íntima certeza
de quem conhece a gente?
Não é dor o que se sente,
e há nela certa beleza...

Ah!... A saudade sorria
velada por fino véu,
branda e leve, branda e esguia,

há quanto tempo eu sabia
o seu toque de Morfeu!

Traz na mão argêntea taça.
Of'rece um gole de vinho,

e enquanto minh'alma abraça,
bebe a lágrima que embaça
os meus olhos, de mansinho...

Fico dormente, sem ais,
entrego-me, sem esperança,
e os meus alentos vitais,
por muitos instantes mais,
são réus da sua cobrança...

E de lábios inda feridos
pelo bordo de flagelos
do cálice dos meus sentidos,
sinto o abraço comovido
da saudade, em desvelos...

Mansa saudade, que é dor
sem me doer tanto assim!
Pois não me traz o calor
dos teus beijos, meu amor,
mesmo só dentro de mim?!...

E me entrego, dócil presa,
À saudade, em oração.

No rosário da tristeza
vou desfiando a certeza:
Estás no meu coração!...




...sempre...

3 comentários:

Rose Tunala disse...

"Saudade é vontade de morar na fonte de nosso desejo."

Esse blog é tão especial.

Beijos no coração, amiga borboleta de meu jardim.

sfich disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
sfich disse...

Se, Augusto Gil, visse isto
dar-se-ia conta do que é sentir, em sulcos compridos, uns versos comprometidos num sorriso de criança!...